Nesse texto irei discorrer sobre o aprendizado da disciplina Teoria e Prática da Educação Ambiental Crítica, onde os conceitos que mais marcaram o aprendizado foram utopia, ambientalismo, modernidade líquida, pedagogia da complexidade e interpretar.
Essa disciplina do curso de Especialização em Educação Ambiental, Cidadania e Desenvolvimento Regional, nos levaram a uma série de reflexões acerca de utopias que temos a respeito do ambientalismo que queremos e praticamos. No meu entendimento, o termo utopia se referia, “grosso modo”, a sonhos inalcançáveis, a realidades distantes, a algo que poderíamos imaginar em ter, mas nunca possuir. No entanto, na primeira aula, logo no início da manhã, o professor nos fez vislumbrar outra possibilidade de ver o termo em questão, a partir de agora, utopia passa a ser entendida como para onde nos queremos caminhar.
Nessas condições, faço uma análise de que o termo citado acima era visto como eu falei primeiramente, especialmente devido a vivermos em uma sociedade em que prevalecem os valores que privilegiam as relações capitalistas de produção, em detrimento de relações que humanizem as relações entre os seres componentes do tecido social. Na minha interpretação, a sociedade humana passa por um processo de transformação que na percepção de Bauman citado por Oliveira, pode ser sintetizada nos seguintes processos: a transformação do cidadão, sujeito de direitos, em indivíduo a procura de afirmação no espaço social; a transição de estruturas de solidariedade grupal para as de disputa e competição; o abrandamento dos sistemas de proteção estatal às intempéries da vida, originando um constante ambiente de incertezas; a colocação de culpabilidade por casuais fracassos no plano individual; o final da perspectiva da idealização em longo prazo; e o divórcio e a iminente separação total entre poder e política. A esse momento por que passa a sociedade humana, o autor citado anteriormente chama de modernidade líquida.
Nesse cenário, a utopia que devemos perseguir deve ser aquela que busca trilhar os caminhos que transformem o cidadão em sujeito de direito, que as estruturas de solidariedade prevaleçam sobre as de competição e disputa, que os sistemas de proteção estatal às intempéries da vida se fortaleçam cada vez mais acabando com as incertezas, que os fracassos individuais passem a ser vistos como de uma coletividade, que a perspectiva da idealização em longo prazo não tenha fim, e, que poder e política não sejam vistas como coisas distintas, separadas.
Dessa forma, acredito que a educação ambiental crítica tem um papel de bastante relevância para desempenhar no processo de humanização dessa sociedade que vive a chamada modernidade líquida. Sei que isso não ocorre da noite para o dia, porém, precisamos aprender com a realidade atual e, penso que isso é possível se despirmo-nos dos preconceitos e teorias prontas. Nesses termos, concordo com o professor Marcos Sorrentino que desvela o conceito de pedagogia da complexidade. Para ele, esse modelo que pressupõe um aprendizado com a realidade é possível se exercitarmos um olhar pesquisador, indagador, curioso, aberto ao novo, sem perguntas prontas e acabadas, mas formulador de perguntas, atencioso, honesto, integro, dialógico.
Nessa conjuntura, acredito que os caminhos que a Educação Ambiental Crítica deva trilhar são difíceis e variados, no entanto, tal caminho nunca dever percorrido e permeado pelo olhar de apenas um campo do conhecimento. Assim, creio que esses campos dos conhecimentos devam travar uma conversa dialógica, pois cada um deles vê a EA crítica de forma diferente, cada um deles tem a capacidade de interpretar diferentemente esse modelo educativo. O significado de interpretar aqui é visto como Avanzi & Malagodi apregoam: “... seria procurar o sentido interno por detrás do que foi expresso e assim, projetar possíveis sentidos visando à compreensão (p.96).”
Nessa direção, para que a EA crítica seja uma das ferramentas de construção de valores conservacionistas do ambiente no qual estamos inseridos, precisamos formular ações transformadoras das realidades atuais. Para tanto, uma das várias diretrizes do processo educador devem se pautar na formação de coletivos educadores, na popularização das EA crítica em diferentes espaços educativos da sociedade, na garantia desse modelo educacional como política de Estado e da sociedade humana.
Enfim, concluo que somos seres inconclusos que vivem em um mundo em mutação, da mesma forma que o sistema educacional do qual a EA critica faz parte. Assim, afirmo que por estar em constante aprendizado, não consegui incorporar todo o conhecimento disponibilizado na disciplina Teoria e Prática da Educação Ambiental Crítica. Desse modo, me avalio como um aluno que necessita de mais leituras para fundamentar o meu discurso, sendo necessário um maior aprofundamento na temática da EA crítica.
REFERÊNCIAS
AVANZI, Maria Rita & Marco A. S. Malagodi. Comunidades interpretativas. (p.95-102).
OLIVEIRA, Dennis de. A utopia possível na sociedade líquida: o sociólogo afirma que é preciso acreditar no potencial humano para que um outro mundo seja possível. Entrevista: Zygmunt Bauman. In: Cult. n. 138. P. 14-18.
SORRENTINO, Marcos. Educação Ambiental e Pedagogia da Complexidade. In: Novatitude. (p.8).
* Adaptação de trabalho apresentado ao Professor Marcos Sorrentino, da disciplina Teoria e da Prática da Educação Ambiental Crítica, do curso de Especialização em Educação Ambiental, Cidadania e Desenvolvimento Regional, do Núcleo de Educação Ambiental da UFPA, Campus Sul e Sudeste do Pará, Marabá, em julho de 2011.
sábado, 16 de julho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
MEMÓRIAS QUE NÃO CONSEGUIRÃO MATAR
Cresci assistindo os noticiários de violência que acontecem no Estado do Pará. Movimento de Garimpeiros termina em chacina na Ponte Rodoferroviária de Marabá! Sem terras são massacrados na curva do S em Eldorado dos Carajás! Sindicalista é assassinado na porta de casa em Rondon do Pará! Família é executada em Morada Nova! Freira Americana é assassinada em Anapu!
Essas notícias passaram a fazer parte da cultura de impunidade que impera no Estado, e principalmente na região Sul e Sudeste. Recentemente, mais dois crimes aconteceram! Desta vez contra um casal de ambientalista que vivia e sobrevivia da floresta.
José Claúdio e Dona Maria trabalhavam normalmente em seu pedaço de terra sem agredir a natureza. Dela extraia e beneficiava a castanha do Pará, da andiroba, da copaíba, do cacau, do cupu... Extraiam da floresta os derivados e transformavam-os em cosméticos, remédios e alimentos que eram comercializados nos municípios da nossa região.
Mas também lutavam contra o desmatamento! Isso foi o que mais incomodou os carvoeiros e os madeireiros do município de Nova Ipixuna. Denunciaram o assédio que esses faziam no Projeto Agroextrativista Praia Alta Piranheira e por isso foram covardemente assassinados.
Estive participando de uma atividade da turma de Especialização em Educação Ambiental, nesse Projeto Agroextrativista e constatei o quanto esse casal era importante na luta em defesa das florestas. Na residência do casal tudo estava como eles deixaram!
As sementes na estufa, o boné do Conselho Nacional dos Produtores Extrativistas sobre a mesa, e o gato e um cachorro que visivelmente esperava na pura espera a chagada de Zé Claúdio e Dona Maria.
O gato ainda miou, como se estivesse perguntando pelos seus donos, agora o cachorro sequer levantou... Parece que já sabia que nunca mais veria os seus donos, por isso permanecia imobilizado e em estado de greve animal há exatamente um mês.
Dois meses antes, o professor José Pedro havia acertado com a Dona Maria na UFPA a nossa visita para conhecer essa experiência agroextrativista, mas por conta do período chuvoso a própria Dona Maria que era também aluna do curso de Pedagogia do Campo, sugeriu que esperássemos o verão chegar, pois as estradas não estavam conservadas.
Assim foi feito, chegamos à majestade (nome dado a uma árvore de estimação do casal) ansiosos para conhecer essa experiência agroextrativista, mas faltaram o Zé Claúdio e a Dona Maria para nos receber, assim como era de costume fazer com tantas outras turmas de estudantes e pesquisadores.
No local onde o casal foi assassinado, sobre o pé de uma imensa árvore, foi erguida uma pedra com uma das várias denúncias que o Zé Claudio e Dona Maria fizeram: “o que fizeram com o Chico Mendes no Acre e com a Irmã Dorath em Anapu, querem fazer também com a gente... E realmente eles fizeram!” Mataram no ano internacional das florestas quem defendiam as florestas, deixando um vazio no coração da Amazônia e dos ambientalistas que permanecem vivos, lutando para que as nossas florestas não virem carvão para alimentar a ganância dos capitalistas.
Fonte: texto elaborado por Raimundo Moura, 27 de junho de 2011.
Essas notícias passaram a fazer parte da cultura de impunidade que impera no Estado, e principalmente na região Sul e Sudeste. Recentemente, mais dois crimes aconteceram! Desta vez contra um casal de ambientalista que vivia e sobrevivia da floresta.
José Claúdio e Dona Maria trabalhavam normalmente em seu pedaço de terra sem agredir a natureza. Dela extraia e beneficiava a castanha do Pará, da andiroba, da copaíba, do cacau, do cupu... Extraiam da floresta os derivados e transformavam-os em cosméticos, remédios e alimentos que eram comercializados nos municípios da nossa região.
Mas também lutavam contra o desmatamento! Isso foi o que mais incomodou os carvoeiros e os madeireiros do município de Nova Ipixuna. Denunciaram o assédio que esses faziam no Projeto Agroextrativista Praia Alta Piranheira e por isso foram covardemente assassinados.
Estive participando de uma atividade da turma de Especialização em Educação Ambiental, nesse Projeto Agroextrativista e constatei o quanto esse casal era importante na luta em defesa das florestas. Na residência do casal tudo estava como eles deixaram!
As sementes na estufa, o boné do Conselho Nacional dos Produtores Extrativistas sobre a mesa, e o gato e um cachorro que visivelmente esperava na pura espera a chagada de Zé Claúdio e Dona Maria.
O gato ainda miou, como se estivesse perguntando pelos seus donos, agora o cachorro sequer levantou... Parece que já sabia que nunca mais veria os seus donos, por isso permanecia imobilizado e em estado de greve animal há exatamente um mês.
Dois meses antes, o professor José Pedro havia acertado com a Dona Maria na UFPA a nossa visita para conhecer essa experiência agroextrativista, mas por conta do período chuvoso a própria Dona Maria que era também aluna do curso de Pedagogia do Campo, sugeriu que esperássemos o verão chegar, pois as estradas não estavam conservadas.
Assim foi feito, chegamos à majestade (nome dado a uma árvore de estimação do casal) ansiosos para conhecer essa experiência agroextrativista, mas faltaram o Zé Claúdio e a Dona Maria para nos receber, assim como era de costume fazer com tantas outras turmas de estudantes e pesquisadores.
No local onde o casal foi assassinado, sobre o pé de uma imensa árvore, foi erguida uma pedra com uma das várias denúncias que o Zé Claudio e Dona Maria fizeram: “o que fizeram com o Chico Mendes no Acre e com a Irmã Dorath em Anapu, querem fazer também com a gente... E realmente eles fizeram!” Mataram no ano internacional das florestas quem defendiam as florestas, deixando um vazio no coração da Amazônia e dos ambientalistas que permanecem vivos, lutando para que as nossas florestas não virem carvão para alimentar a ganância dos capitalistas.
Fonte: texto elaborado por Raimundo Moura, 27 de junho de 2011.
terça-feira, 1 de março de 2011
O DESMATAMENTO DA VEGETAÇÃO CILIAR DO IGARAPÉ DO GUIDO PELO LOTEAMENTO CIDADE JARDIM*
VALTEY MARTINS DE SOUZA
RENATO NORONHA MARTINS
LUIZ DE OLIVEIRA SILVA
JOCILENE COSTA VANZELER
JANAINA JUSTINO DA SILVA
Nesse texto iremos tratar, de forma muito breve, sobre a construção do loteamento Cidade Jardim, do Grupo Leolar, que provocou o desmatamento da vegetação ciliar das margens do igarapé do Guido.
Nessa direção, o novo loteamento implantado às margens da rodovia Transamazônica, entre os quilômetros 8 e 12, no sentido Marabá São Domingos do Araguaia, acabou por provocar a retirada da vegetação ciliar do igarapé do Guido. Esse loteamento chamado de Cidade Jardim está sendo erigido na margem esquerda da mencionada rodovia, nesse caso, parece que foi pensado como solução para o crescimento urbano da cidade de Marabá.
Nesses termos, o loteamento é tido pelos atores que detêm o poder de decisão, como parte do desenvolvimento que chega a Marabá. Entretanto, não concordamos, pois pensamos que o crescimento econômico será prevalente e não beneficiará a todos, assim sendo, concordamos com Sen (2004 apud Jacobi, 2005), que ao resumir suas idéias sobre o desenvolvimento, o entende como as possibilidades que a cooperação e a solidariedade entre os membros da sociedade trazem ao transformar o crescimento econômico de destruidor das relações sociais em processo de formação de capital social ou em “desenvolvimento como liberdade”.
Desse modo, nos fazemos às seguintes questões: o que irá acontecer com o igarapé do Guido? O igarapé ficará poluído? Assoreado? E a população do entorno? Quais as conseqüências para ela? A vegetação ciliar irá se recuperar? Os animais silvestres irão perecer? O propalado desenvolvimento beneficiará a todos sem distinção?
Nesse contexto, pretendemos utilizar os conhecimentos disponibilizados por Sato & Santos (2003), principalmente a teoria crítica ou sócio-construtivista, para nos embasar nessa hipotética pesquisa-intervenção.
Assim, entendemos que os atores envolvidos nos problemas ambientais aqui destacados, são: o Grupo Leolar, futuros moradores do loteamento e pessoas que vivem no entorno do igarapé e fazem uso da água e de seus recursos, como peixes, animais silvestres, frutos e outros.
Dessa forma, elencamos hipóteses que visam propor possíveis soluções que possam solucionar ou minorar a problemática acima destacada. Pensamos que o igarapé do Guido será assoreado, portanto, o reflorestamento de suas margens pode ajudar a minimizar o dano ambiental. No entanto, isso não é de ser posto em prática, principalmente porque os atores hegemônicos (Grupo Leolar) acabam por impor seus ditames aos menos favorecidos (população do entorno).
Nessa conjuntura, o reflorestamento pode ser favorável à despoluição das águas do referido igarapé, porém, só isso não será suficiente. Acreditamos que a dragagem do leito do igarapé poderá contribuir enormemente para tal despoluição e para barrar o assoreamento.
Nesse cenário, a fauna e a flora aquática terão que ser reposta, pois assim, a população do entorno será beneficiada. Esse benefício pode ser traduzido em água sadia, peixes, animais e aquáticos que servem como complemento alimentar da população local.
Desse modo, se essas medidas não forem botadas em prática, os sujeitos locais menos favorecidos irão sofrer, a vegetação ciliar não irá se recuperar e os animais silvestres terrestres e aquáticos perecerão. Quanto ao desenvolvimento beneficiar a todos aos atores citados anteriormente, não nos parece ser possível que isso aconteça, pois onde se estabelecem as relações capitalistas de produção não há lugar para igualdade dentro do tecido social.
Nesse sentido, acreditamos que as ações que deveriam ser postas em prática na aludida área, precisariam ser aquelas que têm por base o ecodesenvolvimento ou desenvolvimento sustentável. Para Jacobi (2005), essa perspectiva propõe um desenvolvimento que harmoniza objetivos sociais, ambientais e econômicos.
BIBLIOGRAFIA PESQUISADA
JACOBI, P. Roberto. Educação Ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo. In: Educação e Pesquisa, v. 31, n. 2, p. 233-250. São Paulo: USP, maio/ago. 2005. Disponível em:. Acessado em: 12/01/2011.
SATO, Michèle; SANTOS, José Eduardo. Tendências nas pesquisas em educação ambiental. In: NOAL, F.; BARCELOS, V. (Orgs.). Educação ambiental e cidadania: cenários brasileiros. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2003. p. 253-283.
*Adaptação de trabalho apresentado a Professora Marilena Loureiro da Silva, da disciplina Metodologia da Pesquisa em Educação Ambiental, do curso de Especialização em Educação Ambiental, Cidadania e Desenvolvimento Regional, do Núcleo de Educação Ambiental da UFPA, Campus Sul e Sudeste do Pará, Marabá em janeiro de 2011.
RENATO NORONHA MARTINS
LUIZ DE OLIVEIRA SILVA
JOCILENE COSTA VANZELER
JANAINA JUSTINO DA SILVA
Nesse texto iremos tratar, de forma muito breve, sobre a construção do loteamento Cidade Jardim, do Grupo Leolar, que provocou o desmatamento da vegetação ciliar das margens do igarapé do Guido.
Nessa direção, o novo loteamento implantado às margens da rodovia Transamazônica, entre os quilômetros 8 e 12, no sentido Marabá São Domingos do Araguaia, acabou por provocar a retirada da vegetação ciliar do igarapé do Guido. Esse loteamento chamado de Cidade Jardim está sendo erigido na margem esquerda da mencionada rodovia, nesse caso, parece que foi pensado como solução para o crescimento urbano da cidade de Marabá.
Nesses termos, o loteamento é tido pelos atores que detêm o poder de decisão, como parte do desenvolvimento que chega a Marabá. Entretanto, não concordamos, pois pensamos que o crescimento econômico será prevalente e não beneficiará a todos, assim sendo, concordamos com Sen (2004 apud Jacobi, 2005), que ao resumir suas idéias sobre o desenvolvimento, o entende como as possibilidades que a cooperação e a solidariedade entre os membros da sociedade trazem ao transformar o crescimento econômico de destruidor das relações sociais em processo de formação de capital social ou em “desenvolvimento como liberdade”.
Desse modo, nos fazemos às seguintes questões: o que irá acontecer com o igarapé do Guido? O igarapé ficará poluído? Assoreado? E a população do entorno? Quais as conseqüências para ela? A vegetação ciliar irá se recuperar? Os animais silvestres irão perecer? O propalado desenvolvimento beneficiará a todos sem distinção?
Nesse contexto, pretendemos utilizar os conhecimentos disponibilizados por Sato & Santos (2003), principalmente a teoria crítica ou sócio-construtivista, para nos embasar nessa hipotética pesquisa-intervenção.
Assim, entendemos que os atores envolvidos nos problemas ambientais aqui destacados, são: o Grupo Leolar, futuros moradores do loteamento e pessoas que vivem no entorno do igarapé e fazem uso da água e de seus recursos, como peixes, animais silvestres, frutos e outros.
Dessa forma, elencamos hipóteses que visam propor possíveis soluções que possam solucionar ou minorar a problemática acima destacada. Pensamos que o igarapé do Guido será assoreado, portanto, o reflorestamento de suas margens pode ajudar a minimizar o dano ambiental. No entanto, isso não é de ser posto em prática, principalmente porque os atores hegemônicos (Grupo Leolar) acabam por impor seus ditames aos menos favorecidos (população do entorno).
Nessa conjuntura, o reflorestamento pode ser favorável à despoluição das águas do referido igarapé, porém, só isso não será suficiente. Acreditamos que a dragagem do leito do igarapé poderá contribuir enormemente para tal despoluição e para barrar o assoreamento.
Nesse cenário, a fauna e a flora aquática terão que ser reposta, pois assim, a população do entorno será beneficiada. Esse benefício pode ser traduzido em água sadia, peixes, animais e aquáticos que servem como complemento alimentar da população local.
Desse modo, se essas medidas não forem botadas em prática, os sujeitos locais menos favorecidos irão sofrer, a vegetação ciliar não irá se recuperar e os animais silvestres terrestres e aquáticos perecerão. Quanto ao desenvolvimento beneficiar a todos aos atores citados anteriormente, não nos parece ser possível que isso aconteça, pois onde se estabelecem as relações capitalistas de produção não há lugar para igualdade dentro do tecido social.
Nesse sentido, acreditamos que as ações que deveriam ser postas em prática na aludida área, precisariam ser aquelas que têm por base o ecodesenvolvimento ou desenvolvimento sustentável. Para Jacobi (2005), essa perspectiva propõe um desenvolvimento que harmoniza objetivos sociais, ambientais e econômicos.
BIBLIOGRAFIA PESQUISADA
JACOBI, P. Roberto. Educação Ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo. In: Educação e Pesquisa, v. 31, n. 2, p. 233-250. São Paulo: USP, maio/ago. 2005. Disponível em:
SATO, Michèle; SANTOS, José Eduardo. Tendências nas pesquisas em educação ambiental. In: NOAL, F.; BARCELOS, V. (Orgs.). Educação ambiental e cidadania: cenários brasileiros. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2003. p. 253-283.
*Adaptação de trabalho apresentado a Professora Marilena Loureiro da Silva, da disciplina Metodologia da Pesquisa em Educação Ambiental, do curso de Especialização em Educação Ambiental, Cidadania e Desenvolvimento Regional, do Núcleo de Educação Ambiental da UFPA, Campus Sul e Sudeste do Pará, Marabá em janeiro de 2011.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
A PRODUÇÃO CARVOAJEIRA NO MUNICÍPIO DE SÃO DOMINGOS DO ARAGUAIA-PA
Valtey Martins de Souza
O presente texto trata, muito preliminarmente, do caminho trilhado por mim enquanto educador, da produção carvoajeira no município de São Domingos do Araguaia e de sua implicação socioambiental.
Nesses termos, começo falando de mim, sou professor de Geografia que atua no ensino fundamental e médio no município de São Domingos do Araguaia, Pará. Faço parte do quadro de funcionários públicos do estado desde o ano de 1988 e do município desde 1999. Cursei Geografia (licenciatura) entre os anos de 2000 e 2004, quando desenvolvi o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com o tema de investigação voltado para a atividade madeireira no município acima citado. Desse período para cá procurei voltar minha atenção para o trabalho em sala de aula, sem muita preocupação com a produção de trabalhos de pesquisas. A exceção foi a produção de artigos com base no TCC que foram publicados no site www.webartigos.com. A partir dessas publicações o interesse por pesquisas na área ambiental se intensificou, culminando no projeto de análise que visa desvendar o processo de carvoejamento no município de São Domingos do Araguaia e suas implicações socioambientais.
Minha curiosidade para trabalhar essa temática se aguçou devido a alguns alunos do ensino médio, principalmente, terem relatado trabalharem na produção de carvão vegetal para as siderúrgicas de Marabá. A partir desse ponto, passei a investigar como se dava a produção, quais as pessoas envolvidas, qual a renda e os empregos gerados e quais as transformações espaciais.
Desse modo, desvelei que a produção era feita tendo como base a floresta natural e o coco babaçu, onde o mesocarpo e a amêndoa não tinha aproveitamento. Portanto, danos ambientais foram causados, pois, se parte da floresta natural foi retirada de maneira predatória e os babaçuais não estão sendo utilizados de forma mais racional (aproveitando toda a potencialidade do fruto), isso pode se reverter, a médio e longo prazo, em mal estar à comunidade, que sofrerá pela falta ou o rareamento de espécimes vegetais e animais de uso comum.
Dessa forma, notei que a produção se dá através do uso de recursos naturais que são comprados de terceiros, como parcelas de florestas que são derrubadas para o plantio de roças ou pela aquisição de enormes quantidades de sacas de coco babaçu a R$ 1,00 cada. Após a compra da matéria-prima a produção de carvão acontece em fornos feitos com tijolos e cimento (rabo quente) e em tambores metálicos.
Nesse contexto, verifiquei que as pessoas envolvidas nessa produção são, principalmente, fazendeiros que contratam pequenos lavradores ou pessoas desempregadas e juquireiros para produzirem o carvão vegetal. Os pequenos lavradores fazem uso da força de trabalho de familiares para tal empreitada, sendo que alguns deles ainda são crianças. Quanto à renda e os empregos gerados nesse tipo de produção, detectei que são mínimos e em pouco número. Algumas famílias desenvolvem trabalhos análogos ao escravo, pois, não recebem salários e sim víveres (alimentos, ferramentas, roupas, calçados e outros).
Nessa conjuntura, notei que as florestas estão encolhendo, os cursos d’água estão secando e a população mais empobrecida continua no abandono.
Assim, ao concluir esse breve raciocínio, me faço a seguinte pergunta: como minimizar os danos ambientais provocados por essa atividade que se tornou predatória no município de São Domingos do Araguaia? Como tentativa de resposta, penso que um bom caminho a trilhar, embora longo, seria a criação da consciência de que os recursos naturais são finitos e que sua escassez pode provocar danos ambientais. Tal consciência deve ser criada junto as pessoas que lidam diretamente com a produção mencionada, em um primeiro momento, más pode ser introduzida no ambiente escolar através de campanhas que primem pela educação ambiental.
O presente texto trata, muito preliminarmente, do caminho trilhado por mim enquanto educador, da produção carvoajeira no município de São Domingos do Araguaia e de sua implicação socioambiental.
Nesses termos, começo falando de mim, sou professor de Geografia que atua no ensino fundamental e médio no município de São Domingos do Araguaia, Pará. Faço parte do quadro de funcionários públicos do estado desde o ano de 1988 e do município desde 1999. Cursei Geografia (licenciatura) entre os anos de 2000 e 2004, quando desenvolvi o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com o tema de investigação voltado para a atividade madeireira no município acima citado. Desse período para cá procurei voltar minha atenção para o trabalho em sala de aula, sem muita preocupação com a produção de trabalhos de pesquisas. A exceção foi a produção de artigos com base no TCC que foram publicados no site www.webartigos.com. A partir dessas publicações o interesse por pesquisas na área ambiental se intensificou, culminando no projeto de análise que visa desvendar o processo de carvoejamento no município de São Domingos do Araguaia e suas implicações socioambientais.
Minha curiosidade para trabalhar essa temática se aguçou devido a alguns alunos do ensino médio, principalmente, terem relatado trabalharem na produção de carvão vegetal para as siderúrgicas de Marabá. A partir desse ponto, passei a investigar como se dava a produção, quais as pessoas envolvidas, qual a renda e os empregos gerados e quais as transformações espaciais.
Desse modo, desvelei que a produção era feita tendo como base a floresta natural e o coco babaçu, onde o mesocarpo e a amêndoa não tinha aproveitamento. Portanto, danos ambientais foram causados, pois, se parte da floresta natural foi retirada de maneira predatória e os babaçuais não estão sendo utilizados de forma mais racional (aproveitando toda a potencialidade do fruto), isso pode se reverter, a médio e longo prazo, em mal estar à comunidade, que sofrerá pela falta ou o rareamento de espécimes vegetais e animais de uso comum.
Dessa forma, notei que a produção se dá através do uso de recursos naturais que são comprados de terceiros, como parcelas de florestas que são derrubadas para o plantio de roças ou pela aquisição de enormes quantidades de sacas de coco babaçu a R$ 1,00 cada. Após a compra da matéria-prima a produção de carvão acontece em fornos feitos com tijolos e cimento (rabo quente) e em tambores metálicos.
Nesse contexto, verifiquei que as pessoas envolvidas nessa produção são, principalmente, fazendeiros que contratam pequenos lavradores ou pessoas desempregadas e juquireiros para produzirem o carvão vegetal. Os pequenos lavradores fazem uso da força de trabalho de familiares para tal empreitada, sendo que alguns deles ainda são crianças. Quanto à renda e os empregos gerados nesse tipo de produção, detectei que são mínimos e em pouco número. Algumas famílias desenvolvem trabalhos análogos ao escravo, pois, não recebem salários e sim víveres (alimentos, ferramentas, roupas, calçados e outros).
Nessa conjuntura, notei que as florestas estão encolhendo, os cursos d’água estão secando e a população mais empobrecida continua no abandono.
Assim, ao concluir esse breve raciocínio, me faço a seguinte pergunta: como minimizar os danos ambientais provocados por essa atividade que se tornou predatória no município de São Domingos do Araguaia? Como tentativa de resposta, penso que um bom caminho a trilhar, embora longo, seria a criação da consciência de que os recursos naturais são finitos e que sua escassez pode provocar danos ambientais. Tal consciência deve ser criada junto as pessoas que lidam diretamente com a produção mencionada, em um primeiro momento, más pode ser introduzida no ambiente escolar através de campanhas que primem pela educação ambiental.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
O APRENDIZADO E ALGUNS CONCEITOS PSICOLÓGICOS*
Valtey Martins de Souza
Este trabalho aborda temas dos processos de aprendizagem que estão relacionados com os modos de comportamento dos seres humanos. Dentre eles, tratarei dos conceitos de psicologia, psicologia na educação, psicologia da educação, psicologia e subjetividade, psicologia e desenvolvimento, psicologia da aprendizagem, o ambientalismo, o inatismo, o interacionismo.
Nessa perspectiva, Antonio Severino conceitua a psicologia como o ramo das ciências humanas que estuda os fenômenos e as operações psíquicas. Diz ainda, o referido autor, que se trata de uma forma sistemática de conhecimento, apoiada nos procedimentos metodológicos da ciência que busca dar conta dos processos relacionados com a conduta dos sujeitos humanos, à medida que eles estão vinculados a sua vida psíquica.
Dessa maneira, para o autor em destaque, a psicologia da educação é a disciplina que sistematiza os conhecimentos práticos e teóricos sobre o educando, como ser subjetivo em suas relações com o meio que o envolve, consigo mesmo e com os outros.
Nessas condições, o mencionado autor entende que a psicologia da educação, possibilita a compreensão global do processo de desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, a partir do momento em que se colocam ao alcance do educador os conhecimentos da teoria e da pesquisa, viabilizando assim, maior eficácia em seu trabalho de interação entre as pessoas. Para esse autor, os processos psíquicos são apoios valiosos e imprescindíveis para que educadores e educandos percebam seus valores, dignidade e sensibilidade, respeitando as diferenças existentes nos relacionamentos dos sujeitos com seu ambiente natural e social.
Além disso, o autor aventado anteriormente entende que é através do processo de aprendizagem que se dá a apropriação dos diversos conteúdos de nossas experiências naturais ou culturais, que só pode se realizar em função dos recursos da personalidade dos sujeitos.
Nesse cenário, Antonio Severino entende que foi somente a partir da consolidação da pedagogia escolanovista, que a psicologia foi considerada como uma ciência fundamental dos processos educativos e, que sobre seus conhecimentos, se deveria fundar toda a pedagogia.
Nessa conjuntura, o autor destaca que o educador não pode conceber e praticar sua atividade como se tratasse de uma manipulação mecânica dos sujeitos educandos, pois, o educador deve ter sempre em mente que estudar psicologia, conhecer eventuais teorias de seu campo, não tem por finalidade transformá-lo em um especialista em clínica psicológica, nem em teorias. Até mesmo porque, o papel da psicologia no âmbito educacional, é o de mediar o conhecimento dos sujeitos educandos enquanto pessoas subjetivas, pois, a subjetivação humana deriva das atividades que os homens desenvolvem, sejam elas sobre a natureza ou com seus semelhantes.
Nesses termos, esse autor diz ainda, que não se pode reduzir à educação a mera aplicação dos processos psicológicos, pois estes são apenas mediações e devem-se levar em conta outros aspectos igualmente fundamentais, como uma atividade de trabalho e uma prática política.
Nessa mesma linha de raciocínio, as autoras Cláudia Davis e Zilma Oliveira em obra intitulada Psicologia na educação, dizem que num processo de democratização das oportunidades educacionais, a escola deve considerar em seu trabalho as características psicológicas e socioculturais dos alunos que atende, buscando uma adequação pedagógico-didática à sua clientela, tornando possível e significativo o processo de aprendizagem. Essas autoras dizem ainda, na medida em que aumentam os problemas que as escolas têm de enfrentar, tornam-se mais relevantes os estudos psicológicos para a área da educação e, a necessidade de se efetivar maior intercâmbio entre a psicologia e a pedagogias.
Dessa maneira, as autoras citadas acima, afirmam também que é na interação com outras pessoas que as necessidades dos seres humanos tendem a ser satisfeitas, e é por intermédio do contato humano que a criança adquire a linguagem e passa a se comunicar com outros seres humanos e a organizar seu pensamento, pois o aparecimento da consciência deriva das condições criadas no convívio social.
Assim, para essas autoras, investigar as modificações que ocorrem nos processos envolvidos na relação do indivíduo com o mundo, analisando seus mecanismos básicos, é o papel da psicologia. Sendo que, as áreas da psicologia que são mais importantes para o trabalho do professor, são os conhecimentos advindos da psicologia do desenvolvimento e a da aprendizagem. Dessa forma, desenvolvimento é entendido como o processo através do qual o indivíduo constrói ativamente, nas relações com o ambiente físico e social, suas características.
Nessas condições, as autoras conceituam psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem. Para elas, a psicologia do desenvolvimento estuda a evolução da capacidade perceptual e motora, as funções intelectuais da sociabilidade e da efetividade do ser humano. A psicologia da aprendizagem é entendida como o processo através do qual, a criança se apropria ativamente do conteúdo da experiência humana, daquilo que o seu grupo social conhece.
Além disso, quando as autoras falam da psicologia na educação, deixam transparecer que a criança começa há aprender muitos anos antes de entrar na escola. Nesse período, um conjunto de noções e de conceitos já se encontra estabelecidos, pois, a tarefa de ensinar concentra-se não somente nas mãos das escolas, mas também faz parte das tarefas da família, dos amigos, de pessoas que ele, o educando, considera significativa, dos meios de comunicação de massa e de outros. Porém, é no ambiente escolar que existe uma intenção prévia de organizar situações que proporcionem o aprimoramento dos processos de pensamento e da própria capacidade de aprender.
Nesse contexto, as autoras analisadas passam a apresentar às diversas teorias de desenvolvimento, como a concepção inatista, a concepção ambientalista e a percepção interacionista de Piaget e Vygotsky.
Dessa forma, ao falarem da concepção inatista, as autoras a conceituam dizendo que o ser humano já nasce com as qualidades e capacidades básicas já prontas, sofrendo pouca diferenciação qualitativa e quase nenhuma transformação ao longo da existência. Nesse caso, os fatores endógenos são primordiais, se sobrepondo aos exógenos, que são considerados de menor importância.
Nessa perspectiva, ao tratar da concepção ambientalista, as autoras atribuem o desenvolvimento das características humanas, às condições presentes no meio em que se encontra. Visto a partir dessa ótica, essa concepção valoriza os fatores exógenos e é chamada também de comportamentalista ou Behaviorista.
Desse modo, para os comportamentalistas, através da manipulação dos elementos presentes no ambiente, é possível controlar o comportamento. Mudanças no comportamento podem ser provocadas de diversas maneiras, sendo que uma delas requer uma análise das conseqüências ou resultados que o mesmo produz no ambiente. As conseqüências positivas são chamadas de reforçamento, as negativas recebem o nome de punição.
Nesse caso, a concepção interacionista pregada pelas autoras em destaque lembra que o desenvolvimento apóia-se na idéia de interação entre organismos e meio.
Visto a partir desse cenário, as autoras apregoam a respeito da abordagem sobre dois grandes estudiosos que tem marcado, ultimamente, a teoria e a prática educacional com teorias psicológicas desenvolvidas por dois defensores da concepção interacionista. São eles Piaget e Vygotsky. O primeiro mostrou que os estágios do conhecimento humano correspondem às etapas do desenvolvimento genético por que passam tanto a vida psíquica, quanto a inteligência. O segundo, em seu trabalho, mostra uma visão de desenvolvimento baseada na concepção de um organismo ativo, cujo pensamento é construído paulatinamente num ambiente histórico e em essência social.
Dessa maneira, Cláudia Davis e Zilma Oliveira tratam ainda das etapas do desenvolvimento cognitivo da criança, a etapa sensória motora, a pré-operatória, a operatório-concreta e a operatório-formal. A compreensão dessas etapas leva o educador por caminhos do compreender o educando, através da interação dos mesmos, com o meio e consigo mesmo.
A AÇÃO DE UM PROFESSOR APÓS O CONTATO COM O CONHECIMENTO
Os dois textos tratados nesse trabalho, além de desenvolver conceitos até então desconhecidos por mim, irão ajudar de maneira decisiva na compreensão e desenvolvimento do meu trabalho como educador, pois até então, eu concebia e praticava a educação, como se tratasse de uma manipulação mecânica dos sujeitos educandos. Apesar de já militar na educação por quase 15 anos, o curso que fiz no ensino médio não foi o magistério, e sim o científico.
Dessa forma, fui um professor muito autoritário durante muitos anos, isso por influencia do meio no qual vivi durante algum tempo, a Caserna. Assim sendo, passo a analisar o meu comportamento como educador, em um primeiro momento, onde o autoritarismo era predominante no meu relacionamento com alunos e, também, com familiares. E em um segundo momento, onde passei a ter contato com novas práticas e teorias. Portanto, acredito que meu comportamento tem se modificado na medida em que as disciplinas são ministradas, levando-me a acreditar na significância da psicologia da educação no aprendizado de educador/educando.
Desse modo, entendo que a paciência, até então, nunca havia sido uma das minhas virtudes, mas, como o ditado popular diz “o professor é um espelho para o aluno”, passei a me policiar na intenção de servir como um bom exemplo a ser seguido. Principalmente, exemplo de paciência e conhecimento de que o aprendizado também se dá pela interação com o meio.
BIBLIOGRAFIA
DAVIS, Cláudia; OLIVEIRA, Zilma. Psicologia na educação. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1993.
SEVERINO, Antonio. Educação e subjetividade: a hora e a vez da psicologia da educação. In:_____. Filosofia da Educação: construindo a cidadania. São Paulo: FDT, 1994, p. 128-135.
*Adaptação de trabalho elaborado como requisito de avaliação da disciplina Psicologia da Educação, ministrada pelo professor João Miguel Batista Guerreiro, durante a 6.ª etapa intervalar do curso de Licenciatura Plena em Geografia, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), no pólo de Brejo Grande do Araguaia-PA.
Este trabalho aborda temas dos processos de aprendizagem que estão relacionados com os modos de comportamento dos seres humanos. Dentre eles, tratarei dos conceitos de psicologia, psicologia na educação, psicologia da educação, psicologia e subjetividade, psicologia e desenvolvimento, psicologia da aprendizagem, o ambientalismo, o inatismo, o interacionismo.
Nessa perspectiva, Antonio Severino conceitua a psicologia como o ramo das ciências humanas que estuda os fenômenos e as operações psíquicas. Diz ainda, o referido autor, que se trata de uma forma sistemática de conhecimento, apoiada nos procedimentos metodológicos da ciência que busca dar conta dos processos relacionados com a conduta dos sujeitos humanos, à medida que eles estão vinculados a sua vida psíquica.
Dessa maneira, para o autor em destaque, a psicologia da educação é a disciplina que sistematiza os conhecimentos práticos e teóricos sobre o educando, como ser subjetivo em suas relações com o meio que o envolve, consigo mesmo e com os outros.
Nessas condições, o mencionado autor entende que a psicologia da educação, possibilita a compreensão global do processo de desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, a partir do momento em que se colocam ao alcance do educador os conhecimentos da teoria e da pesquisa, viabilizando assim, maior eficácia em seu trabalho de interação entre as pessoas. Para esse autor, os processos psíquicos são apoios valiosos e imprescindíveis para que educadores e educandos percebam seus valores, dignidade e sensibilidade, respeitando as diferenças existentes nos relacionamentos dos sujeitos com seu ambiente natural e social.
Além disso, o autor aventado anteriormente entende que é através do processo de aprendizagem que se dá a apropriação dos diversos conteúdos de nossas experiências naturais ou culturais, que só pode se realizar em função dos recursos da personalidade dos sujeitos.
Nesse cenário, Antonio Severino entende que foi somente a partir da consolidação da pedagogia escolanovista, que a psicologia foi considerada como uma ciência fundamental dos processos educativos e, que sobre seus conhecimentos, se deveria fundar toda a pedagogia.
Nessa conjuntura, o autor destaca que o educador não pode conceber e praticar sua atividade como se tratasse de uma manipulação mecânica dos sujeitos educandos, pois, o educador deve ter sempre em mente que estudar psicologia, conhecer eventuais teorias de seu campo, não tem por finalidade transformá-lo em um especialista em clínica psicológica, nem em teorias. Até mesmo porque, o papel da psicologia no âmbito educacional, é o de mediar o conhecimento dos sujeitos educandos enquanto pessoas subjetivas, pois, a subjetivação humana deriva das atividades que os homens desenvolvem, sejam elas sobre a natureza ou com seus semelhantes.
Nesses termos, esse autor diz ainda, que não se pode reduzir à educação a mera aplicação dos processos psicológicos, pois estes são apenas mediações e devem-se levar em conta outros aspectos igualmente fundamentais, como uma atividade de trabalho e uma prática política.
Nessa mesma linha de raciocínio, as autoras Cláudia Davis e Zilma Oliveira em obra intitulada Psicologia na educação, dizem que num processo de democratização das oportunidades educacionais, a escola deve considerar em seu trabalho as características psicológicas e socioculturais dos alunos que atende, buscando uma adequação pedagógico-didática à sua clientela, tornando possível e significativo o processo de aprendizagem. Essas autoras dizem ainda, na medida em que aumentam os problemas que as escolas têm de enfrentar, tornam-se mais relevantes os estudos psicológicos para a área da educação e, a necessidade de se efetivar maior intercâmbio entre a psicologia e a pedagogias.
Dessa maneira, as autoras citadas acima, afirmam também que é na interação com outras pessoas que as necessidades dos seres humanos tendem a ser satisfeitas, e é por intermédio do contato humano que a criança adquire a linguagem e passa a se comunicar com outros seres humanos e a organizar seu pensamento, pois o aparecimento da consciência deriva das condições criadas no convívio social.
Assim, para essas autoras, investigar as modificações que ocorrem nos processos envolvidos na relação do indivíduo com o mundo, analisando seus mecanismos básicos, é o papel da psicologia. Sendo que, as áreas da psicologia que são mais importantes para o trabalho do professor, são os conhecimentos advindos da psicologia do desenvolvimento e a da aprendizagem. Dessa forma, desenvolvimento é entendido como o processo através do qual o indivíduo constrói ativamente, nas relações com o ambiente físico e social, suas características.
Nessas condições, as autoras conceituam psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem. Para elas, a psicologia do desenvolvimento estuda a evolução da capacidade perceptual e motora, as funções intelectuais da sociabilidade e da efetividade do ser humano. A psicologia da aprendizagem é entendida como o processo através do qual, a criança se apropria ativamente do conteúdo da experiência humana, daquilo que o seu grupo social conhece.
Além disso, quando as autoras falam da psicologia na educação, deixam transparecer que a criança começa há aprender muitos anos antes de entrar na escola. Nesse período, um conjunto de noções e de conceitos já se encontra estabelecidos, pois, a tarefa de ensinar concentra-se não somente nas mãos das escolas, mas também faz parte das tarefas da família, dos amigos, de pessoas que ele, o educando, considera significativa, dos meios de comunicação de massa e de outros. Porém, é no ambiente escolar que existe uma intenção prévia de organizar situações que proporcionem o aprimoramento dos processos de pensamento e da própria capacidade de aprender.
Nesse contexto, as autoras analisadas passam a apresentar às diversas teorias de desenvolvimento, como a concepção inatista, a concepção ambientalista e a percepção interacionista de Piaget e Vygotsky.
Dessa forma, ao falarem da concepção inatista, as autoras a conceituam dizendo que o ser humano já nasce com as qualidades e capacidades básicas já prontas, sofrendo pouca diferenciação qualitativa e quase nenhuma transformação ao longo da existência. Nesse caso, os fatores endógenos são primordiais, se sobrepondo aos exógenos, que são considerados de menor importância.
Nessa perspectiva, ao tratar da concepção ambientalista, as autoras atribuem o desenvolvimento das características humanas, às condições presentes no meio em que se encontra. Visto a partir dessa ótica, essa concepção valoriza os fatores exógenos e é chamada também de comportamentalista ou Behaviorista.
Desse modo, para os comportamentalistas, através da manipulação dos elementos presentes no ambiente, é possível controlar o comportamento. Mudanças no comportamento podem ser provocadas de diversas maneiras, sendo que uma delas requer uma análise das conseqüências ou resultados que o mesmo produz no ambiente. As conseqüências positivas são chamadas de reforçamento, as negativas recebem o nome de punição.
Nesse caso, a concepção interacionista pregada pelas autoras em destaque lembra que o desenvolvimento apóia-se na idéia de interação entre organismos e meio.
Visto a partir desse cenário, as autoras apregoam a respeito da abordagem sobre dois grandes estudiosos que tem marcado, ultimamente, a teoria e a prática educacional com teorias psicológicas desenvolvidas por dois defensores da concepção interacionista. São eles Piaget e Vygotsky. O primeiro mostrou que os estágios do conhecimento humano correspondem às etapas do desenvolvimento genético por que passam tanto a vida psíquica, quanto a inteligência. O segundo, em seu trabalho, mostra uma visão de desenvolvimento baseada na concepção de um organismo ativo, cujo pensamento é construído paulatinamente num ambiente histórico e em essência social.
Dessa maneira, Cláudia Davis e Zilma Oliveira tratam ainda das etapas do desenvolvimento cognitivo da criança, a etapa sensória motora, a pré-operatória, a operatório-concreta e a operatório-formal. A compreensão dessas etapas leva o educador por caminhos do compreender o educando, através da interação dos mesmos, com o meio e consigo mesmo.
A AÇÃO DE UM PROFESSOR APÓS O CONTATO COM O CONHECIMENTO
Os dois textos tratados nesse trabalho, além de desenvolver conceitos até então desconhecidos por mim, irão ajudar de maneira decisiva na compreensão e desenvolvimento do meu trabalho como educador, pois até então, eu concebia e praticava a educação, como se tratasse de uma manipulação mecânica dos sujeitos educandos. Apesar de já militar na educação por quase 15 anos, o curso que fiz no ensino médio não foi o magistério, e sim o científico.
Dessa forma, fui um professor muito autoritário durante muitos anos, isso por influencia do meio no qual vivi durante algum tempo, a Caserna. Assim sendo, passo a analisar o meu comportamento como educador, em um primeiro momento, onde o autoritarismo era predominante no meu relacionamento com alunos e, também, com familiares. E em um segundo momento, onde passei a ter contato com novas práticas e teorias. Portanto, acredito que meu comportamento tem se modificado na medida em que as disciplinas são ministradas, levando-me a acreditar na significância da psicologia da educação no aprendizado de educador/educando.
Desse modo, entendo que a paciência, até então, nunca havia sido uma das minhas virtudes, mas, como o ditado popular diz “o professor é um espelho para o aluno”, passei a me policiar na intenção de servir como um bom exemplo a ser seguido. Principalmente, exemplo de paciência e conhecimento de que o aprendizado também se dá pela interação com o meio.
BIBLIOGRAFIA
DAVIS, Cláudia; OLIVEIRA, Zilma. Psicologia na educação. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1993.
SEVERINO, Antonio. Educação e subjetividade: a hora e a vez da psicologia da educação. In:_____. Filosofia da Educação: construindo a cidadania. São Paulo: FDT, 1994, p. 128-135.
*Adaptação de trabalho elaborado como requisito de avaliação da disciplina Psicologia da Educação, ministrada pelo professor João Miguel Batista Guerreiro, durante a 6.ª etapa intervalar do curso de Licenciatura Plena em Geografia, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), no pólo de Brejo Grande do Araguaia-PA.
O ENSINO DE GEOGRAFIA: DAS PRÁTICAS TRADICIONAIS AO MOVIMENTO DE CONSTRUÇÃO DE UMA GEOGRAFIA ESCOLAR CIDADÃ*
Valtey Martins de Souza
Nilene Ferreira Cardoso Souza
Antonio Félix da Silva
O presente texto vai tratar do modo como eram vistas e aplicadas às práticas tradicionais no ensino da Geografia Escolar e, também, vai falar da construção de uma Geografia Escolar Cidadã, que procura trazer para o centro da discussão, o objeto de interação do professor, que é outro sujeito, o aluno.
Assim, as palavras de Lacoste citado por Rocha (1998), são bastante claras, pois para ele:
A geografia dos professores nada mais é do que um discurso ideológico, que tem como função, dentre outras, mascarar a importância estratégica dos raciocínios centrados no espaço (p.67).
Nessa concepção, o ensino da geografia no final do século XX era descomprometido e isolado do real, buscando se distanciar o máximo da realidade espacial. Essa metodologia aplicada pelos professores mascara o raciocínio sobre a importância da organização do espaço, e os conteúdos estudados eram de forma mecânica e superficial, fazendo com que não houvesse compreensão, causando certo distanciamento na relação do conhecimento apreendido na escola com a realidade observada. Desse modo, o aprendizado tornava-se sem importância para o aluno, que era tido apenas como um objeto da aprendizagem.
Nesse contexto, essa maneira de ensinar a geografia desconectada da realidade, teve como conseqüência, o desinteresse pelos estudos geográficos, uma vez que não contribuíam para um estudo crítico da organização espacial do mundo, distanciando o nosso alunado da importância do conhecimento geográfico.
Dessa maneira, nas escolas brasileiras, o modelo pedagógico adotado é centrado no autoritarismo, no qual o professor sempre deve ser o centro e, os alunos, são entendidos como recipientes vazios que devem ser preenchidos. Esse modelo educacional que não valoriza os conhecimentos extra-escolares, que não permite a participação ativa do educando, que o torna objeto e não sujeito do seu aprendizado é o de cunho tradicional.
Visto sob essas condições, esse modelo tradicional trata a diversidade e a heterogeneidade de forma homogênea, transformando o educando num mero repetidor de conhecimentos, num indivíduo robotizado. Para isso, o referido modelo educacional faz uso de conteúdos sem nenhum significado para os alunos, onde os professores utilizam metodologias que irão auxiliar cada vez mais, na alienação dos estudantes.
No entanto, outra concepção pedagógica que se opõe ao modelo tradicional, é a de cunho crítico, aquela que compreende a inter-relação entre a educação e a prática social. Esse exemplo pedagógico é aquele onde o professor crítico busca no interior da sala de aula, se utilizar de técnicas de ensino que visem à aquisição do saber sistematizado, principalmente através da utilização da bagagem de conhecimentos que o alunado trás da sua cotidianidade.
Nessa linha de raciocínio, Cavalcanti (1998) entende que é preciso, portanto, formar uma consciência espacial para a prática da cidadania, o que significa tanto compreender a geografia das coisas, para poder melhor manipulá-las no cotidiano, quanto conhecer a dinâmica espacial das práticas cotidianas inocentes, para dar um sentido mais genérico (mais crítico, mais profundo) a elas. Nessa concepção, a produção e reelaboração do conhecimento derivam das interações entre professor e alunos, que por sua vez, trazem uma bagagem de conhecimentos extra-escolar, de fundamental importância para tal reelaboração.
Assim, na perspectiva crítica, a geografia escolar estimula a atividade e a iniciativa dos alunos, sem prescindir da iniciativa do professor, favorecendo o diálogo, de onde brota o início da transformação do indivíduo em sujeito de seu aprendizado.
Nesse cenário, a partir do que foi posto, o ensino da geografia vai permitir que os alunos façam relações de forma sistematizada de suas realidades, despertando-os para a compreensão de sua organização espacial. Dessa forma, esse modelo de ensino terá como objetivos, formar sujeitos, o que difere das políticas neoliberais aplicadas pelos PCNs, como uma geografia humanística que visa formar apenas indivíduos alienados por essa política do Estado brasileiro.
Portanto, essa nova forma de ensinar geografia, tendo o espaço como produto, condição e meio de reprodução das relações sociais, faz com que os alunos comecem a se identificar com seu espaço de uso cotidiano, passando a conhecê-lo de forma particular através de vários olhares, pois, a partir do conhecimento geográfico, obtemos habilidades para compreender o nosso meio, sobretudo as relações travadas no espaço.
Desse modo, concluímos que essa geografia escolar cidadã que vê o espaço como historicamente produzido pelo homem, e a necessidade de conhecê-lo de forma sistemática para melhor organizá-lo numa perspectiva de sociedade mais justa e igualitária, deve ser a geografia escolar que mais se adéqua a formação de sujeitos conscientes dos seus papéis como cidadãos participantes de uma sociedade dinâmica.
BIBLIOGRAFIA
CAVALCANTI, L. S. Geografia escolar e a construção de conceitos no ensino. In:_____. Geografia, escola e construção de conhecimentos. Campinas: Papirus, 1998.
LOPES, A. O. Aula expositiva: superando o tradicional. In: PASSOS, Ilma; VEIGA, A. (Orgs). Técnicas de ensino: Por que não? 2 ed. Campinas: Papirus, 1998.
ROCHA, G. O. R. O papel do professor de geografia na formação de uma sociedade crítica. Revista Ciência Geográfica. Baurú. IV (10): mai/ago, 1998.
_____. A geografia escolar e a consolidação do projeto educacional neoliberal no Brasil. Belém: Mineo, 2002.
*Esse texto é uma adaptação do trabalho apresentado ao professor Genylton Odilon Rego da Rocha na disciplina Metodologia Específica do Ensino de Geografia, em janeiro de 2003 em Brejo Grande do Araguaia-PA, do curso de Licenciatura Plena em Geografia pela UFPA.
Nilene Ferreira Cardoso Souza
Antonio Félix da Silva
O presente texto vai tratar do modo como eram vistas e aplicadas às práticas tradicionais no ensino da Geografia Escolar e, também, vai falar da construção de uma Geografia Escolar Cidadã, que procura trazer para o centro da discussão, o objeto de interação do professor, que é outro sujeito, o aluno.
Assim, as palavras de Lacoste citado por Rocha (1998), são bastante claras, pois para ele:
A geografia dos professores nada mais é do que um discurso ideológico, que tem como função, dentre outras, mascarar a importância estratégica dos raciocínios centrados no espaço (p.67).
Nessa concepção, o ensino da geografia no final do século XX era descomprometido e isolado do real, buscando se distanciar o máximo da realidade espacial. Essa metodologia aplicada pelos professores mascara o raciocínio sobre a importância da organização do espaço, e os conteúdos estudados eram de forma mecânica e superficial, fazendo com que não houvesse compreensão, causando certo distanciamento na relação do conhecimento apreendido na escola com a realidade observada. Desse modo, o aprendizado tornava-se sem importância para o aluno, que era tido apenas como um objeto da aprendizagem.
Nesse contexto, essa maneira de ensinar a geografia desconectada da realidade, teve como conseqüência, o desinteresse pelos estudos geográficos, uma vez que não contribuíam para um estudo crítico da organização espacial do mundo, distanciando o nosso alunado da importância do conhecimento geográfico.
Dessa maneira, nas escolas brasileiras, o modelo pedagógico adotado é centrado no autoritarismo, no qual o professor sempre deve ser o centro e, os alunos, são entendidos como recipientes vazios que devem ser preenchidos. Esse modelo educacional que não valoriza os conhecimentos extra-escolares, que não permite a participação ativa do educando, que o torna objeto e não sujeito do seu aprendizado é o de cunho tradicional.
Visto sob essas condições, esse modelo tradicional trata a diversidade e a heterogeneidade de forma homogênea, transformando o educando num mero repetidor de conhecimentos, num indivíduo robotizado. Para isso, o referido modelo educacional faz uso de conteúdos sem nenhum significado para os alunos, onde os professores utilizam metodologias que irão auxiliar cada vez mais, na alienação dos estudantes.
No entanto, outra concepção pedagógica que se opõe ao modelo tradicional, é a de cunho crítico, aquela que compreende a inter-relação entre a educação e a prática social. Esse exemplo pedagógico é aquele onde o professor crítico busca no interior da sala de aula, se utilizar de técnicas de ensino que visem à aquisição do saber sistematizado, principalmente através da utilização da bagagem de conhecimentos que o alunado trás da sua cotidianidade.
Nessa linha de raciocínio, Cavalcanti (1998) entende que é preciso, portanto, formar uma consciência espacial para a prática da cidadania, o que significa tanto compreender a geografia das coisas, para poder melhor manipulá-las no cotidiano, quanto conhecer a dinâmica espacial das práticas cotidianas inocentes, para dar um sentido mais genérico (mais crítico, mais profundo) a elas. Nessa concepção, a produção e reelaboração do conhecimento derivam das interações entre professor e alunos, que por sua vez, trazem uma bagagem de conhecimentos extra-escolar, de fundamental importância para tal reelaboração.
Assim, na perspectiva crítica, a geografia escolar estimula a atividade e a iniciativa dos alunos, sem prescindir da iniciativa do professor, favorecendo o diálogo, de onde brota o início da transformação do indivíduo em sujeito de seu aprendizado.
Nesse cenário, a partir do que foi posto, o ensino da geografia vai permitir que os alunos façam relações de forma sistematizada de suas realidades, despertando-os para a compreensão de sua organização espacial. Dessa forma, esse modelo de ensino terá como objetivos, formar sujeitos, o que difere das políticas neoliberais aplicadas pelos PCNs, como uma geografia humanística que visa formar apenas indivíduos alienados por essa política do Estado brasileiro.
Portanto, essa nova forma de ensinar geografia, tendo o espaço como produto, condição e meio de reprodução das relações sociais, faz com que os alunos comecem a se identificar com seu espaço de uso cotidiano, passando a conhecê-lo de forma particular através de vários olhares, pois, a partir do conhecimento geográfico, obtemos habilidades para compreender o nosso meio, sobretudo as relações travadas no espaço.
Desse modo, concluímos que essa geografia escolar cidadã que vê o espaço como historicamente produzido pelo homem, e a necessidade de conhecê-lo de forma sistemática para melhor organizá-lo numa perspectiva de sociedade mais justa e igualitária, deve ser a geografia escolar que mais se adéqua a formação de sujeitos conscientes dos seus papéis como cidadãos participantes de uma sociedade dinâmica.
BIBLIOGRAFIA
CAVALCANTI, L. S. Geografia escolar e a construção de conceitos no ensino. In:_____. Geografia, escola e construção de conhecimentos. Campinas: Papirus, 1998.
LOPES, A. O. Aula expositiva: superando o tradicional. In: PASSOS, Ilma; VEIGA, A. (Orgs). Técnicas de ensino: Por que não? 2 ed. Campinas: Papirus, 1998.
ROCHA, G. O. R. O papel do professor de geografia na formação de uma sociedade crítica. Revista Ciência Geográfica. Baurú. IV (10): mai/ago, 1998.
_____. A geografia escolar e a consolidação do projeto educacional neoliberal no Brasil. Belém: Mineo, 2002.
*Esse texto é uma adaptação do trabalho apresentado ao professor Genylton Odilon Rego da Rocha na disciplina Metodologia Específica do Ensino de Geografia, em janeiro de 2003 em Brejo Grande do Araguaia-PA, do curso de Licenciatura Plena em Geografia pela UFPA.
A IMPORTÂNCIA DA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA, CONSIDERANDO A AVALIAÇÃO ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL E/OU MÉDIO*
Valtey Martins de Souza
O texto hora apresentado, vai destacar a importância da didática para o ensino de geografia, levando em consideração o papel da avaliação escolar no ensino fundamental e/ou médio. No caso da didática utilizada pelo docente, deve sempre levar em consideração as questões que afetam o cotidiano dos dois sujeitos do processo ensino aprendizagem: professor e aluno.
O aprendizado da geografia perpassa não só pelo uso de recursos pedagógico-didáticos, mas pela contextualização dos conteúdos, orientando os educandos para o exercício da cidadania, sempre respeitando as minorias, também e ao mesmo tempo, auxiliando na conscientização de uma sociedade inconclusa, de indivíduos inconclusos e históricos.
Nessa conjuntura, a didática utilizada no ensino de geografia deve levar a abordagens de questões fundamentais que nos afetam no dia-a-dia, deteriorando a qualidade de vida na superfície terrestre, como as queimadas, a utilização do mercúrio, a pesca predatória, o emprego do carvão vegetal como combustível, o defeso, a poluição das águas, a destruição da camada de ozônio, em suma, as relações que os indivíduos travam no seio da sociedade e com a natureza.
Dessa forma, dependendo da didática utilizada para o ensino de geografia, a conscientização do educando pode acontecer, ou não. A metodologia de ensino é de fundamental importância para o processo de ensino aprendizagem, se levar em consideração valores morais, éticos, cognitivos e afetivos do ser educando, que se transforma em sujeito a partir desses pressupostos básicos.
Nessa perspectiva, o modo de facilitar o ensino/aprendizagem utilizado pelo educador em geografia, pode levar o educando a compreender e explicar o mundo. A compreensão e explicação de mundo devem, logicamente, ser vista sob a ótica dos avanços tecnológicos e das transformações socioculturais decorrentes dos conflitos e acordos entre os elementos formadores da sociedade.
Nessas condições, no que se refere as avaliações escolares, que são vistas como instrumentos de verificação de rendimento escolar, que cumpre funções pedagógico-didáticas, de diagnóstico e de controle, devem ser feitas tanto pelo educador, quanto pelo educando no decorrer do processo de aprendizagem. Afinal de contas, tanto o primeiro quanto o segundo se educam durante esse processo.
Desse modo, os atores envolvidos nesse processo educativo devem ter sempre em mente, que a avaliação educacional não pode estar a serviço de uma pedagogia dominante, autoritária, conservadora, e sim, terá de ser uma atividade racionalmente definida, dentro de um encaminhamento político e decisório a favor da competência de todos para a participação democrática na vida social.
Assim, a avaliação deve ser sempre uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o processo de ensino-aprendizagem, não somente no ensino fundamental, mas também, no ensino médio, onde teoricamente os educandos devem estar mais “amadurecidos”.
Nesses termos, há indicadores que sugerem que, para ter sucesso profissional na tarefa de ensinar, é necessário ao professor conhecer, dominar e articular os vários elementos que compõem o seu trabalho, como conteúdos, realidade do educando, teorias e metodologias, avaliação e aprendizagem.
Nesse cenário, a maioria dos professores do município que eu trabalho como docente, se aproveita da autoridade que a profissão lhes confere, e vestem o manto do autoritarismo para disfarçar a incompetência peculiar dos chamados docentes tradicionais. Fazendo isso, eles (ou nós, algumas vezes) acabam por prejudicar, ou mesmo castrar, o poder de criticidade do educando local, que por sua vez, irá reproduzir o conhecimento adquirido, se é que podemos chamar assim.
Nesses termos, o educando quase nunca pode avaliar o professor, pois, a autoridade do mestre, o dono e não o facilitador do conhecimento, não pode ser abalado, principalmente porque o docente se considera um espelho no qual o educando deverá ver somente qualidades. Esse professor provavelmente não sabe que é humano e, portanto, falível, capaz de na sua com o meio, errar. Assim como o educando, que também não é perfeito. Tanto o educador quanto o educando, em suas funções no processo ensino-aprendizagem, são aprendizes, pois pertencem ou se inserem em uma sociedade dinâmica, que com os avanços tecnológicos, sofrem profundas e irreversíveis transformações.
BIBLIOGRAFIA
GUARNIERI, Maria Regina (Org). Aprendendo a ensinar: o caminho nada suave da docência. Autores Associados; Araraquara-SP: Programa de Pós-graduação em Educação Escolar da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, 2000.-(Coleção Polêmicas do nosso tempo;75).
LIBÂNEO, José Carlos. Didática: a avaliação escolar. – São Paulo: Cortez, 1994.- (Coleção magistério 2.º grau. Série formação do professor).
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. – 2 ed. São Paulo: Cortez, 1995.
*Adaptação do trabalho elaborado como requisito de avaliação da disciplina Didática Geral, ministrada pela professora Almira Teixeira, durante a 6.ª etapa intervalar (julho de 2002) do curso de Licenciatura Plena em Geografia, pela Universidade Federal do Pará, no pólo de Brejo Grande do Araguaia-PA.
O texto hora apresentado, vai destacar a importância da didática para o ensino de geografia, levando em consideração o papel da avaliação escolar no ensino fundamental e/ou médio. No caso da didática utilizada pelo docente, deve sempre levar em consideração as questões que afetam o cotidiano dos dois sujeitos do processo ensino aprendizagem: professor e aluno.
O aprendizado da geografia perpassa não só pelo uso de recursos pedagógico-didáticos, mas pela contextualização dos conteúdos, orientando os educandos para o exercício da cidadania, sempre respeitando as minorias, também e ao mesmo tempo, auxiliando na conscientização de uma sociedade inconclusa, de indivíduos inconclusos e históricos.
Nessa conjuntura, a didática utilizada no ensino de geografia deve levar a abordagens de questões fundamentais que nos afetam no dia-a-dia, deteriorando a qualidade de vida na superfície terrestre, como as queimadas, a utilização do mercúrio, a pesca predatória, o emprego do carvão vegetal como combustível, o defeso, a poluição das águas, a destruição da camada de ozônio, em suma, as relações que os indivíduos travam no seio da sociedade e com a natureza.
Dessa forma, dependendo da didática utilizada para o ensino de geografia, a conscientização do educando pode acontecer, ou não. A metodologia de ensino é de fundamental importância para o processo de ensino aprendizagem, se levar em consideração valores morais, éticos, cognitivos e afetivos do ser educando, que se transforma em sujeito a partir desses pressupostos básicos.
Nessa perspectiva, o modo de facilitar o ensino/aprendizagem utilizado pelo educador em geografia, pode levar o educando a compreender e explicar o mundo. A compreensão e explicação de mundo devem, logicamente, ser vista sob a ótica dos avanços tecnológicos e das transformações socioculturais decorrentes dos conflitos e acordos entre os elementos formadores da sociedade.
Nessas condições, no que se refere as avaliações escolares, que são vistas como instrumentos de verificação de rendimento escolar, que cumpre funções pedagógico-didáticas, de diagnóstico e de controle, devem ser feitas tanto pelo educador, quanto pelo educando no decorrer do processo de aprendizagem. Afinal de contas, tanto o primeiro quanto o segundo se educam durante esse processo.
Desse modo, os atores envolvidos nesse processo educativo devem ter sempre em mente, que a avaliação educacional não pode estar a serviço de uma pedagogia dominante, autoritária, conservadora, e sim, terá de ser uma atividade racionalmente definida, dentro de um encaminhamento político e decisório a favor da competência de todos para a participação democrática na vida social.
Assim, a avaliação deve ser sempre uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o processo de ensino-aprendizagem, não somente no ensino fundamental, mas também, no ensino médio, onde teoricamente os educandos devem estar mais “amadurecidos”.
Nesses termos, há indicadores que sugerem que, para ter sucesso profissional na tarefa de ensinar, é necessário ao professor conhecer, dominar e articular os vários elementos que compõem o seu trabalho, como conteúdos, realidade do educando, teorias e metodologias, avaliação e aprendizagem.
Nesse cenário, a maioria dos professores do município que eu trabalho como docente, se aproveita da autoridade que a profissão lhes confere, e vestem o manto do autoritarismo para disfarçar a incompetência peculiar dos chamados docentes tradicionais. Fazendo isso, eles (ou nós, algumas vezes) acabam por prejudicar, ou mesmo castrar, o poder de criticidade do educando local, que por sua vez, irá reproduzir o conhecimento adquirido, se é que podemos chamar assim.
Nesses termos, o educando quase nunca pode avaliar o professor, pois, a autoridade do mestre, o dono e não o facilitador do conhecimento, não pode ser abalado, principalmente porque o docente se considera um espelho no qual o educando deverá ver somente qualidades. Esse professor provavelmente não sabe que é humano e, portanto, falível, capaz de na sua com o meio, errar. Assim como o educando, que também não é perfeito. Tanto o educador quanto o educando, em suas funções no processo ensino-aprendizagem, são aprendizes, pois pertencem ou se inserem em uma sociedade dinâmica, que com os avanços tecnológicos, sofrem profundas e irreversíveis transformações.
BIBLIOGRAFIA
GUARNIERI, Maria Regina (Org). Aprendendo a ensinar: o caminho nada suave da docência. Autores Associados; Araraquara-SP: Programa de Pós-graduação em Educação Escolar da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, 2000.-(Coleção Polêmicas do nosso tempo;75).
LIBÂNEO, José Carlos. Didática: a avaliação escolar. – São Paulo: Cortez, 1994.- (Coleção magistério 2.º grau. Série formação do professor).
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. – 2 ed. São Paulo: Cortez, 1995.
*Adaptação do trabalho elaborado como requisito de avaliação da disciplina Didática Geral, ministrada pela professora Almira Teixeira, durante a 6.ª etapa intervalar (julho de 2002) do curso de Licenciatura Plena em Geografia, pela Universidade Federal do Pará, no pólo de Brejo Grande do Araguaia-PA.
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