domingo, 11 de dezembro de 2011

Plebiscito no Pará: São Domingos do Araguaia

O plebiscito para o povo paraense decidir se querem ou não a fragmentação territorial do estado está transcorrendo com um baixo comparecimento dos eleitores na cidade de São Domingos do Araguaia. As seções eleitorais estão funcionando com suas capacidades de atendimento reduzidas, justamente pelo baixo índice de votação, cerca de 15% ou 20% do eleitorado estão comparecendo as urnas agora na parte da manhã. Segundo relato de mesários, o movimento de eleitores tende a diminuir no período da tarde. Em conversa com alguns eleitores, ouvi deles que um dos motivos do baixo movimento nas seções, se deve a falta de transportes para trazer os eleitores da zona rural. Além do mais, grande parte do eleitorado local não apresenta nenhum interesse nessa questão separatista. Provavelmente isso se dá pela falta de poder de convencimento por parte da justiça eleitoral e dos políticos locais que não se envolveram muito na questão em pauta.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Verdades e Mentiras sobre a divisão do Pará

Como é o Pará hoje?

O estado do Pará é o segundo maior do Brasil. Tem mais de 1,247 milhões de Km² e cerca de 7,5 milhões de habitantes, 2,1 milhões deles só na região metropolitana de Belém. Tem uma economia essencialmente primária ou seja, baseada na exportação de produtos sem industrialização. Minério, madeira, gado e grãos estão entre esses produtos. Embora as exportações tenham batido recordes a cada ano (o Pará é o segundo maior PIB mineral do País, atrás apenas de Minas Gerais), esse crescimento não é sentido pela população. Temos mais de 2,5 milhões de pessoas vivendo com menos de meio salário mínimo ao mês. E 1,5 milhão dessas vive abaixo da linha de pobreza (menos de R$ 70,00 ao mês); são mais de 700 mil analfabetos, o 2º pior saneamento do Brasil e o primeiro lugar em violência no campo e em desmatamento. Enfim um estado cheio de riquezas mas, com uma população extremamente pobre, evidenciando uma profunda desigualdade social.

Porque existe esse sentimento separatista?

São várias as razões. É verdade que o estado é grande, mas se os municípios do interior fossem assistidos pelo governo do estado não haveria vontade de separar. Se Redenção, Itaituba, Oriximiná, Rio Maria e os demais municípios do interior não padecessem de falta de hospitais, escolas, segurança, saneamento e moradia o sentimento separatista não prosperaria. Logo esse sentimento tem responsáveis: são os governos do PMDB, do PSDB e do PT que abandonaram o interior.

Dividir o estado resolve essa situação?

O Pará não é pobre por ser grande, mas por adotar um modelo de desenvolvimento predatório e concentrador que privilegia latifundiários, mineradoras, madeireiros e sojeiros. Enquanto esse modelo permanecer, pouco importa o tamanho do estado. Os habitantes do oeste e do sul e sudeste paraense alegam que vivem no abandono porque estão distantes do poder, do governo do estado. Quem conhece Belém, Ananindeua, Benevides, Marituba ou demais cidades próximas a Belém, sabe que aqui vivemos os mesmos problemas que o povo do interior. Atrás do Palácio dos Despachos, sede do governo do estado, fica o bairro do tapanã, que vive na maior miséria mesmo estando colado na sede do poder. A questão não é a distância física, mas a distância política.

Quando e como vai se realizar o plebiscito?

O plebiscito, o primeiro a ser realizado no país para aferir a posição da população acerca da divisão de um estado, vai ser realizado dia 11 de dezembro, domingo das 8:00h às 18:00h. Todos os eleitores aptos estão obrigados a votar. Vamos responder se somos ou não favoráveis à divisão do estado para a criação do estado do Tapajós e do Carajás. O número 77 significa sim à divisão e o 55 não à divisão do Pará. Após a apuração o resultado será encaminhado ao Congresso Nacional para decisão e posteriormente à presidência da República para sanção.

Quem ganha com a divisão do estado?

Com certeza não será o povo. Muitos políticos estão de olha na divisão pois vislumbram possibilidade de se elegerem. Se o Pará for dividido serão criados inúmeros novos cargos eletivos: serão 2 novos governadores, 6 novos senadores, 16 novos deputados federais, 48 novos deputados estaduais, 20 secretários de estado, 14 desembargadores, 6 conselheiros de contas e centenas de cargos comissionados. Tudo isso custará milhões e milhões reais, pagas pelo povo, como sempre. Enquanto isso o Pará remanescente perderia 5 deputados federais e 5 estaduais.

O Tapajós e o Carajás são viáveis do ponto de vista econômico?

Não. Diversos estudos comprovam que estes estados já nasceriam deficitários. O estado do Carajás gastaria 26% do seu PIB (Produto Interno Bruto) só na manutenção da máquina estatal. O Tapajós 52% do PIB. Considerando que a média nacional é de 12,5%, constatamos que estes estados nasceriam devendo perto de R$ 2 bilhões a cada ano.

Os separatistas afirmam que quem mais ganha com a divisão é a população do Pará remanescente, isso é verdade?

Não. Eles estão concentrando a campanha no nordeste e na região metropolitana pois sabem que precisam ganhar votos daqui, caso contrário a divisão não será aprovada. Para isso usam argumentos falsos ou deturpados. Afirmam, por exemplo, que a maior parte do PIB ficará no Pará remanescente. É verdade que 55% do PIB ficaria no Pará, mas temos que considerar que a maior parte da população ficaria no Pará. Assim sendo o novo Pará ficaria com um PIB per capita (dividido pela população) de R$ 3,9 mil enquanto do Tapajós seria de R$ 4,7 mil e o do Carajás R$ 8,7 mil. Em outras palavras o povo seria penalizado ainda mais.

Um estado menor seria mais rico?

Se estado pequeno fosse sinônimo de estado rico Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e mesmo o Rio de Janeiro seriam verdadeiros paraísos. Alguns municípios paraenses, principalmente no sudeste, são muito ricos. Parauapebas e Canaã dos Carajás, dois expoentes da mineração, colecionam importantes indicadores econômicos. O PIB per capita de Belém em 2007 foi de R$ 9,7 mil. O de Parauapebas de R$ 45,2 mil e o de Canaã foi de R$ 48,6 mil. Apesar disso a população dessas cidades padece dos mesmos problemas que Belém. Quem conhece sabe da falta de segurança, de saneamento, de educação, saúde e moradia que assolam tanto Parauapebas quanto Canaã. O problema não está no tamanho do município ou do estado, mas no modelo de desenvolvimento adotado que faz com que os ricos fiquem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais miseráveis. Ter um estado menor não garante acesso do povo à riqueza. Além disso, é bom lembrar que o estado do Tapajós, se aprovado, já nasceria grande. Seria o 3º maior estado do Brasil, atrás apenas do Amazonas e do Mato Grosso.

Mas se não é o tamanho, quais os principais problemas do Pará?

O Pará padece de boa parte dos problemas dos demais estados brasileiros. O principal deles é a falta de políticas públicas. Embora os estado tenham enorme responsabilidade nessa situação, o maior responsável é o governo federal. Basta lembrarmos que me 2010 o governo Dilma destinou 0,04% do orçamento da União para o saneamento; 2,8% para a educação e 3,9% para a saúde. Enquanto isso, no mesmo ano, destinou 44,9% para o pagamentos dos juros e amortizações da dívida pública. De se lembrar que de 1995 a 2009 a dívida passou de R$ 60 bilhões para R$ 2 trilhões, embora tenhamos pago mais de R$ 1 trilhão. Ou seja, quanto mais pagamos, mais devemos. Outro problema é a lei Kandir, que desonera as exportações. Ou seja quem exporta fica isento de pagar o ICMS. De acordo com o TCE, o Pará perdeu, entre 1997 e 2010, R$ 21,5 bilhões com a Lei Kandir. Isso daria para construir 384 mil casas, zerando o déficit habitacional do estado. Por último tem a corrupção, que desvia anualmente bilhões de reais, impedindo que as políticas públicas cheguem ao povo.

Qual a solução então?

Não existe solução mágica, mas uma coisa é certa: ainda que a divisão não seja aprovada o estado do Pará nunca mais será o mesmo. O povo do interior não suporta mais tanto desprezo e abandono. Precisamos rever esse modelo de desenvolvimento, precisamos acabar com a Lei Kandir e estancar a corrupção. Precisamos de governos comprometidos com a causa do povo e de mecanismo de controle desses governos que estejam assentados na verdadeira participação popular. A verdade é que não precisamos de mais políticos (como alegam os separatistas) mas, de políticos melhores.


Texto produzido pelo PSOL/Pará.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

LEI n.º 934/2004 DE 30 DE NOVEMBRO DE 2004*

DISPÕE SOBRE A PRESERVAÇÃO DAS PALMEIRAS DE BABAÇU NO MUNICÍPIO DE SÃO DOMINGOS DO ARAGUAIA, ESTADO DO PARÁ, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

A Câmara Municipal de São Domingos do Araguaia aprovou, e o Prefeito Municipal sanciona a seguinte Lei:

Art. 1.º - As palmeiras de coco babaçu nativas, existentes no município de São Domingos do Araguaia, Estado do Pará, são de uso comum das quebradeiras de coco babaçu e suas famílias, em face da relevância ambiental e social, que as exploram em regime de economia familiar e comunitária, ficando garantido o acesso destas ao coco babaçu que deve ser efetivado conforme entendimento entre as quebradeiras de coco e fazendeiros.

Parágrafo Primeiro – Somente serão retirados os cocos babaçu que se encontrarem no chão, ficando proibida a quebra do coco ou a abertura de buracos nas propriedades alheias, bem como proibida a retirada de quaisquer outros frutos, sementes, mudas, flores e demais objetos da propriedade rural.

Parágrafo Segundo – As quebradeiras de coco babaçu não causarão quaisquer prejuízos aos proprietários das Fazendas, Chácaras e sítios; mas havendo tal situação, deve ser comunicada as Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Agricultura, sem prejuízo de ações judiciais competentes.

Art. 2.º - No município de São Domingos do Araguaia é proibida a realização de qualquer ato que venha causar danos diretos ou indiretos as palmeiras nativas de babaçu jovens e adultas, tais como derrubada, corte de cacho, queimada sem controle, uso de agrotóxico e defensivos agrícolas, extração de palmito, cultivo de plantações que tragam algum prejuízo ao desenvolvimento ou sobrevivência da palmeira, ou quaisquer outras ações danosas, salvo quando houver autorização por órgão competente.

Art. 3.º - Serão permitidos os trabalhos de raleamento, desde que se mantenha uma densidade de no mínimo 60 (sessenta) palmeiras adultas e 60 (sessenta) palmeiras jovens (capoteiras ou pindobas) em cada hectare desmatado, distribuídas de forma a evitar a concentração de palmeiras na área, sem prejuízo da manutenção da área de reserva legal prevista pela Lei 4.771/65 (Código Florestal) e demais normas reguladoras do tema.

Parágrafo 1.º - Para fins de raleamento serão derrubadas preferencialmente as palmeiras nativas improdutivas.

Parágrafo 2.º - Os trabalhos de raleamento deverão ser comunicados com antecedência mínima de 15 (quinze) dias a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, devendo o trabalho ser acompanhado pelas Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Agricultura, além de entidades representativas da classe dos trabalhadores rurais do município e das quebradeiras de coco babaçu.

Art. 4.º - Fica proibida, no município de São Domingos do Araguaia, Estado do Pará, a venda em massa do coco inteiro, salvo aqueles cocos que não tiveram utilização para extração de amêndoas ou outro produto decorrentes destes.
Art. 5.º - As infrações pelo não cumprimento desta Lei, sujeitará o infrator as seguintes sanções:

I – Advertência, nos casos de pequeno potencial ofensivo ao Meio Ambiente;

II – Multa, que deverá ser arbitrada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e recolhida em agência bancária em favor da Prefeitura Municipal, no valor de 1 a 10 salários mínimos, conforme a gravidade do dano causado, independente do ressarcimento dos danos causados e das sanções penais aplicáveis ao caso e;

III – Multa dobrada, caso infrator seja reincidente.

Art. 6.º - As entidades representativas dos trabalhadores rurais e das quebradeiras de coco babaçu tem assegurado o acesso as informações sobre as aplicações de multas e advertências.

Art. 7.º - A orientação a comunidade e fiscalização do disposto nesta Lei caberá às Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Agricultura, acompanhadas pelas entidades supramencionadas.

Art. 8.º - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário.

GABINETE DO PREFEITO MUNICIPAL DE SÃO DOMINGOS DO ARAGUAIA, EM 30 DE NOVEMBRO DE 2.004.

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Francisco Edison Coelho Frota
Prefeito Municipal

* Esta é a adaptação de uma Lei municipal e foi digitada da mesma forma que o original, inclusive com os erros de ortografia.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

PESQUISA SOBRE TRABALHO POR PROJETO

Valtey Martins de Souza

O trabalho por projeto de pesquisa que eu analisei foi a Análise Socioambiental da Escola Estadual de Ensino Médio Professora Elza Maria Correa Dantas em São Domingos do Araguaia – PA. Trata-se de uma pesquisa ação realizada por Valtey Martins de Souza, Renato Noronha Martins e Luíz de Oliveira Silva, que tinha como objetivos principais o desvelamento das atitudes desenvolvidas nesse ambiente de trabalho, que sejam pro socioambiental ou anti socioambiental. Para alcançar esses objetivos as estratégias de análises foram verificar as características do espaço da escola nos planos geral e específico; o contexto desse espaço; os atores, suas funções sociais e intervenções; as dinâmicas, as interações e interrelações estabelecidas inter e entre; os projetos explícitos e implícitos; o resultado socioambiental, tensões e distensões ao ambiente em suas dimensões físicas, biológicas e social (e psico); e as expectativas para com o ambiente convivido.
Os professores envolvidos na pesquisa detectaram que os fatores que pesavam contra o ambiente eram: i) acúmulo de lixo (madeira, plástico, metal e papel); ii) falta de lixeiras dentro e fora das salas; iii) falta de vegetação de médio porte que sirva de barreira contra a entrada de água das chuvas nas salas de aula; iv) falta de vegetação rasteira que dificulte a retirada de sedimentos pelo escoamento superficial no solo; v) jardins insuficientes para reterem o escoamento superficial; vi) desperdício de energia elétrica com o uso excessivo de ventiladores e lâmpadas; vii) desperdício de água (vazamentos nas torneiras e encanamentos); viii) água empoçada nas imediações e dentro da escola, servindo assim, de criadouro de larvas de mosquitos.
No projeto desses professores, que são de áreas do conhecimento distintas, os dois primeiros são licenciados em Geografia e, o último, em Ciências Sociais com ênfase em Sociologia, verifiquei assuntos e conceitos ligados aos componentes curriculares dessas duas disciplinas e de outras como Biologia e Matemática, por exemplo.
Desse modo, para que os alunos, professores, serventes, vigias, direção e outros componentes da comunidade escolar se sentissem como parte integrante do projeto, os autores resolveram utilizar o conceito de lugar, com base fenomenológica, pois destaca os significados e valores que os homens atribuem ao espaço. No entendimento de Lencioni (1999), o pesquisador deve se comprometer com o que analisa, fazendo parte da pesquisa, para desse modo, exercer uma observação participante. Quando essa autora fala de investigação geográfica, aponta que a pesquisa deve incorporar os aspectos estéticos e simbólicos, bem como os valores e as intenções na análise da construção social do lugar. Assim, a autora em voga entende que esse modelo de investigação incorporou e salientou a dimensão dos valores sociais e culturais, bem como a valorização da história e do mundo vivido. Para ela, a referência passou a ser o espaço vivido, aquele que é edificado socialmente a partir da percepção das pessoas, interpretado pelos indivíduos e revelador das práticas sociais.
Nesse cenário, os articulistas do mencionado projeto para desenvolver a ação de revegetação do espaço escolar, necessitavam acabar ou diminuir o número de formigas saúvas que até então, dificultavam tal ação. A solução foi recorrer aos conhecimentos de Biologia e Matemática, onde o primeiro passo foi pesquisar na internet uma medida que não afetasse o meio ambiente. Descobriram uma solução a base de álcool 70%, glicerina, água e os corpos das próprias formigas maceradas. Essa solução além de não contaminar o meio ambiente, iria expulsar as formigas do espaço da escola. Assim, os conhecimentos de Matemática, como quantidade de álcool, glicerina, água e corpos de formigas seriam necessários para impactar todos os formigueiros da área escolar, foram utilizados por professores e alunos envolvidos no mencionado plano. Quanto aos conhecimentos de Biologia, posso citar a produção da solução e a restauração ecológica da área afetada, por exemplo.
Nessa conjuntura, o projeto dos aludidos professores, contou com a participação de alunos das turmas: 1º anos A, B, C, e D, 2º ano B (turno da tarde) e 1º anos A, B e C, 2º anos A e B e 3º ano A (turno da manhã). Além do mais, envolveu professores de outras áreas do conhecimento e toda a comunidade escolar, seja na fiscalização do desperdício de energia e água, ou na conscientização do alunado no que se refere à produção e disseminação do lixo no ambiente escolar e adjacência.
Assim sendo, no que se refere ao uso de tecnologias e mídias utilizadas, averiguei que os alunos e pesquisadores em baila fizeram uso dos recursos dos laboratórios de informática e de ciências biológicas. Do primeiro, usaram os computadores ligados à rede mundial de computadores para encontrarem a solução para os problemas das formigas e do lixo. No segundo, produziram a solução que combateria as formigas sem afetar o solo, subsolo ou mesmo as águas subterrâneas.
Nessa perspectiva, o aventado projeto de pesquisa ação não apresentava um prazo predeterminado para se encerrar, pois os envolvidos entendem que as ações devam ser contínuas, notadamente porque do mesmo modo que cuidamos do ambiente de moradia, devemos cuidar do ambiente de trabalho e estudos. Notei que aqui, eles utilizaram de forma implícita, o conceito de lugar aventado no inicio desse texto.
Nesses termos, os pesquisadores encontraram empecilhos e colaboração na pesquisa ação, principalmente nas ações que visavam debelar o desperdício de energia elétrica e água. Parte do alunado passou a participar desligando torneiras e lâmpadas quando não se fazia necessário seu uso. Porém, ouviram comentários de outros, que a água e a energia não eram pagas por eles e nem pela escola, portanto, poderia ocorrer o desperdício. Para eles fazia sentido desperdiçar, pois na base de suas crenças, os recursos como a água e a energia elétrica poderiam ser utilizados indefinidamente sem que ocorresse nenhum problema. Na visão deles esses recursos são infindáveis.
Visto dessa forma, alguns alunos partiram para o enfrentamento, deixando luzes ligadas quando não era mais necessário e deixando torneiras dos bebedouros abertas para derramar a água. Assim, para minorar esses problemas tiveram que intensificar as palestras de conscientização juntamente com medidas repressoras.
Nesse contexto, notaram que ouve um enfrentamento de crenças opostas, onde aquela que defendiam apoiava o não desperdício dos recursos citados, e, a crença dos alunos “rebeldes”, defendia a ideia contrária a dos pesquisadores. Esse enfrentamento produziu frutos como a diminuição no desperdício de energia elétrica e água, além da diminuição na produção de lixo e da maior conscientização de toda a comunidade escolar.

REFERÊNCIAS
LENCIONI, Sandra. Região e geografia. São Paulo: Edusp, 1999.
SOUZA, V. M de; MARTINS, R. N; SILVA, L. de O. SENTIDOS E SIGNIFICADOS CONCEITUAIS EM MUTAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL: Pesquisa ação na Escola Estadual de Ensino Médio Professora Elza Maria Correa Dantas. Disponível em: http://professorvaltey.blogspot.com. Acessado em: 27/09/2011.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Crônicas sobre o Separatismo (Parte 1): A Polêmica do Separatismo e a Questão da Gestão de Políticas

Eduardo José Monteiro da Costa

Nos últimos meses a polêmica sobre a questão do separatismo tem estado presente quase que diariamente na mídia. Muitos aproveitam o embalo das discussões para angariar a sua projeção pessoal em véspera de ano eleitoral. Certamente ser contra ou favorável ao separatismo será uma bandeira que veremos levantada por vários candidatos na próxima eleição. Contudo, percebe-se, por parte de alguns de seus defensores, a inexistência de estudos mais detalhados que apontem para a viabilidade destes novos Estados, e se realmente o desmembramento irá representar ou não o efetivo desenvolvimento destas regiões.
Sempre digo quando sou indagado que se tamanho fosse sinônimo de desenvolvimento o estado de Sergipe seria o mais desenvolvido do país. Há alguns anos fui convidado para fazer uma consultoria na região do Alto Sertão Sergipano, que fica no limite com os estados de Pernambuco e Bahia e que dista da capital, Aracajú, apenas 2 horas de carro. Curiosamente, a queixa da população daquela região é muito parecida com a população residente nas regiões paraenses que almejam emancipação, principalmente a ausência do Estado e a falta de políticas públicas adequadas.
Sobre isto, duas questões merecem ser levantadas.
Em primeiro lugar, o desmembramento, como anteriormente dito, por si só não representa garantia de desenvolvimento. O principal problema, no meu ponto de vista, não é o tamanho do Pará, mas a inexistência de uma estrutura burocrática adequada para se fazer gestão de políticas públicas. Por mais que até haja uma filosofia de descentralização da gestão, esta filosofia deve ter respaldo na arquitetura técnica-burocrática. Quem estuda gestão pública entende que para cada filosofia de gestão há uma estrutura burocrática adequada. Descentralização implica na superação do já ultrapassado modelo setorial, para a gestão territorializada das políticas. Implica em trazer a população para mais próximo do Estado, não somente na escolha das obras ou programas, mas principalmente através do controle social e da transparência de que as ações do governo têm um objetivo mais amplo. Uma visão de futuro!
Neste sentido, estou convencido de que é questão sine qua non a realização de uma ampla reforma administrativa na burocracia do Governo do Estado. Não uma reforma para acomodar interesses partidários ou para se abrir espaço para aliados políticos. Mas uma reforma capaz de modernizar a forma de se fazer gestão pública, trazendo o cidadão para mais próximo dos gestores, e conferindo às políticas e ações maior agilidade, eficiência e eficácia. O Estado hoje está “inchado”. Muitas estruturas estão superpostas e muitas delas são ineficientes. Racionalizando e adequando a gestão, e aqui não estou defendendo uma gestão por resultados, é possível diminuir o custeio, ampliar o volume de investimentos e trazer o cidadão para mais próximo dos gestores.
Aliado a isto está à segunda questão. Precisamos de um Projeto para o estado do Pará. Qual é o Pará que queremos? Que tipo de desenvolvimento queremos para o nosso estado?
O diagnóstico das características econômicas e entraves de nosso estado é claro. Não há discordância de que precisamos mudar radicalmente a sua base econômica, agregando valor e diversificando a produção. Mas do diagnóstico para uma posologia de intervenção eficaz a distância é muito longa. Implica em mexer com um conjunto de interesses das mais diversas estirpes. Finalizo com algo que aprendi com um professor meu na Unicamp. O desenvolvimento tem dois lados. Um lado é mais atraente, consiste em sonhar, planejar, construir, arquitetar. Mas, o desenvolvimento também é constituído por um lado que infelizmente muitos gestores não enfrentam como deveriam. Implica em combater, desconstruir, contrariar, principalmente os projetos de indivíduos ou de certos grupos que acabam sendo prejudiciais ao restante da população. A mensagem final é clara, precisamos de um Projeto para o Pará que subordine os interesses individuais e privados aos interesses da ampla maioria da população. Somente assim teremos um Pará desenvolvido e que tanto sonhamos.

Texto produzido por: Eduardo José Monteiro da Costa, Doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp, Professor da UFPA e Presidente do Conselho Regional de Economia do Estado Pará (CORECON-PA). E-mail: ejmcosta@gmail.com
Disponível em: http://eduardojmcosta.blogspot.com/2011/08/cronicas-sobre-o-separatismo-parte-1.html . Acessado em: 26/08/2011.

TECNOLOGIA NA MINHA ESCOLA

Valtey Martins de Souza

Nesse texto irei falar sobre os tipos de tecnologias que a escola que eu trabalho disponibiliza para docentes e discentes, os tipos mais utilizados, em que tipo de atividade são utilizadas, as dificuldades para a utilização de novas tecnologias e o que é preciso se fazer para que as tecnologias sejam de fato utilizadas no processo ensino aprendizagem.
Nesse cenário, após um breve levantamento no ambiente em que trabalho, desvelei que os tipos de tecnologias disponíveis nessa escola são: televisores e aparelhos de DVDs, computadores, projetores, vídeos, máquinas fotográficas, filmadoras, pen drives, HDs, cartões de memória, entre outros.
Dessa forma, nesse levantamento observei que as tecnologias mais utilizadas são: o uso de vídeos que são trabalhados pelos professores junto ao alunado, principalmente usando aparelhos de DVDs e computadores com projetores. Geralmente esses vídeos são apresentados por cerca de 10 professores, sendo que os outros docentes preferem utilizar preferencialmente a aula expositiva. Assim, verifiquei que aqueles que fazem uso das tecnologias acima citadas, o fazem porque necessitam adequarem suas práticas a novas realidades que se apresentam nesse mundo em constante transformação.
Nessa conjuntura, notei que essas tecnologias são utilizadas corriqueiramente nos afazeres pedagógicos desses professores, pois os mesmos notaram que o alunado as utiliza também em seus cotidianos. Esses professores notaram que a aula expositiva por si só não prende a atenção dos alunos e alunas, e nem contribuem decisivamente no processo ensino aprendizagem. Portanto, acharam que seria necessário trazer para o mencionado processo, novas tecnologias que facilitassem a construção do conhecimento, transformando assim, os educandos em sujeitos e não em objetos.
Desse modo, para que os alunos e alunas se tornem sujeitos desse saber, se faz necessário uma adoção de novos procedimentos didáticos que, no entendimento do professor José William Vesentini, não devem se pautar apenas ou essencialmente na aula expositiva, mas sim no estudo do meio (as chamadas aulas de campo), dinâmicas de grupo e trabalhos dirigidos, debates, uso de computadores (e redes) e outros recursos tecnológicos, preocupações com atividades interdisciplinares e com temas transversais.
Nessa perspectiva, observei que os entraves para o uso de novas tecnologias são principalmente o ranço tradicional que permeia o modelo de ensino adotado por parte dos professores locais. Sendo assim, esses professores acabam por encontrar muito mais dificuldades em contribuir para o processo ensino aprendizagem.
Portanto, penso que o procedimento que deve ser adotado para que a novas tecnologias passem a ser adotados por toda a comunidade escolar, deve ter por base o rompimento com o modelo tradicional de ensino, capacitando todos os envolvidos para que possam lidar com tais tecnologias. Sei que isso não é fácil de ser alcançado, no entanto, temos que tentar e não podemos perder a esperança, como pregava o professor Paulo Freire.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sobre a divisão do Estado... Por Amarílis Tupiassu (e agora?)‏

por Amarílis Tupiassu

Indigna já só a ideia de reduzir o Pará a Belém e Zona do Salgado.
Coisa de político-forasteiro mal-agradecido. O cara chega à casa alheia, que o acolhe com hospitalidade, e se revela um aproveitador. Entra, fuça a geladeira, abanca-se no melhor sofá, escancara as portas dos quartos, e a gente sabe:
é um folgado.
Chora, estremece por seu estado de nascença, enquanto explora e desdiz do Pará, de que só pensa em chupar tudo, até o Estado inteiro, se deixarmos.

O retalhador do estado (dos outros) chega e se espalha feito água.
Abanca-se, invade a cozinha, destampa, tem o desplante de meter o dedo na panela, antes do dono da casa, lambuza as mãos, lambe os dedos.
Como nós,os paraenses somos cordiais, ele confunde cordialidade com liberalidade.
Vem, vai ficando, mergulha de unhas e garras afiadas em terras e política.
Espalhado, o aproveitador, pronto, enriqueceu, encheu a pança.
Fez-se fazendeiro, político de muito papo (balofo), o cara de pau.
Alguns não dispensam trabalho escravo e agora dão de posar de redentores da miséria do Pará, como se só no Pará houvesse miséria.
E cadê? Ih, já nas altas cúpulas, armando discórdia, querendo porque querendo dividir o estado do Pará, disque porque é estado imenso e pobre, como se os mini-estados brasileiros fossem paradisíacos reinos de felicidade, nenhum faminto sem teto, nenhum drogado, saúde e escola nos trinques, nada de tráfico e exploração de menores. Balela de retalhador !

O retalhador (do estado alheio) tem no cérebro sinal de divisão. Só quer dividir, não seu estado, onde o espertalhão não conseguiu levantar a crista.
No Pará, não se contenta em ser fazendeirão, explorador de miseráveis.
Quero um estado pra mim, Assembléia Legislativa, rumas de assessores, Tribunal de Contas com obsceno auxílio-moradia, mesmo que eu tenha casa própria.

E o retalhador já quer governar o estado (dos outros), quer reino e magnífica corte própria, algo comum nestas terras brasílicas dominadas por quadrilhas de políticos cara de pau, porque os dignos, vergonha na cara, os que lutam a valer por um Brasil de união, ordem e progresso, estes raros
políticos dão uma de éticos e não põem a boca no trombone.

Não, o Pará não é casa de engorda e enriquecimento de esquartejador da terra dos outros. Mas o pior é que eles se juntam até a certos políticos paraenses, que, em vez de dizer não decisivo e absoluto à divisão, ficam em cima do muro. É que os muristas paraenses também não são flor que se
cheire. Incrível que políticos paraenses admitam o roubo oficial das ricas terras do Pará. Pendurados no muro, os muristas paraenses só pensam na engorda de seus vastos currais e não em defesa e união.

Sim, quem quer esfacelar o Pará? Deputados de longe que lambem os beiços por se apoderar do Marajó, do Tapajós, de Carajás. Risíveis os argumentos separatistas: A imensidão do Pará impede seu progresso. Nada! Papo de político! É vasta a miséria dos estados pequenos e do Brasil mal governado.
Dividir vem da omissão de políticos do Pará, eles em ânsias por suas lasquinhas. Separatista daqui e de fora quer é feudo, castelo, mais poder.

O mapa do Pará lembra um buldogue. Ele precisa de brio, amor-próprio, rosnar, se quiserem reduzi-lo em retalho. O Pará quer paz e união. Vamos calar os esquartejadores que boiam, do fracasso em seus estados, ao sonho de esfacelar o Pará. Vamos dizer não a mais essa mutreta de político
espertalhão.

Transcrito do Caderno Mulher de 'O liberal' - 13/12/09